AXIA Energia acumula R$ 8,7 bilhões em leilões de transmissão desde 2023 e consolida um dos maiores ciclos de investimentos de sua história

Receita Anual Permitida (RAP) da companhia em 12 lotes arrematados soma R$ 850 milhões; empresa será responsável por mais de 2.300 quilômetros de novas linhas até 2028 Com os lotes arrematados no Leilão de Transmissão nº 1/2026, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no começo de julho, a AXIA Energia acumula R$ 8,7 bilhões em investimentos contratados em certames de transmissão nos últimos três anos. A Receita Anual Permitida (RAP) associada a esses projetos soma aproximadamente R$ 850 milhões. Ao todo, as novas linhas de transmissão da companhia que serão integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) totalizam 2.322 quilômetros até 2028. Desde a privatização, a empresa tem ampliado sua presença nos leilões promovidos pela Aneel. Dos 51 lotes ofertados pela Agência nos últimos três anos, a AXIA apresentou propostas em 46 e venceu 12, consolidando sua retomada competitiva no segmento de transmissão. Esse movimento marca a retomada do apetite da companhia por novos projetos, após mais de oito anos sem arremates. Depois da capitalização, a AXIA voltou a demonstrar competitividade em leilões realizados em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. “A retomada da nossa participação em leilões de transmissão é estratégica e importante para o crescimento da AXIA e do setor elétrico. Avaliamos cuidadosamente todas as oportunidades e quando identificamos retorno adequado e aderência à nossa metodologia de alocação de capital, nossa presença será competitiva e consistente. Os empreendimentos que conquistamos nos últimos anos fortalecem a infraestrutura elétrica brasileira e ampliam a capacidade do sistema de transmissão de efetivar a transição energética, além de acompanhar a expansão da atividade econômica do país”, afirma Elio Wolff, vice-presidente Executivo da AXIA Energia. No leilão do último dia 3, a companhia arrematou três lotes com empreendimentos em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Com os novos ativos, a AXIA reforça sua trajetória de expansão em transmissão e avança em um dos maiores ciclos de investimentos de sua história. O Nordeste concentra parte relevante desse crescimento, com implantação de novas linhas da AXIA nos estados do Ceará, Piauí, Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Schneider Electric e Kraken fazem parceria para aumentar flexibilidade do sistema elétrico e acelerar conexões à rede

Colaboração visa impulsionar conexões de data centers e grandes cargas industriais sem depender de atualizações de alto custo e longa implementação A Schneider Electric, líder global em tecnologia de energia, e a Kraken anunciam uma parceria estratégica para acelerar a adoção global da flexibilidade da demanda de eletricidade. As companhias estão colaborando para oferecer novas soluções para Operadores de Sistemas de Distribuição (DSO) e concessionárias com o objetivo de proporcionar novos níveis de capacidade para monitorar a rede, prever congestionamentos e deslocar a demanda em tempo real. A liberação de maior flexibilidade da demanda e a otimização do uso da capacidade existente da rede permitem conexões mais rápidas para data centers e grandes cargas industriais. Isso adia a necessidade de atualizações da rede caras, o que ajuda a reduzir os custos gerais do sistema e evitar o aumento das tarifas para consumidores e indústria, de modo a apoiar o crescimento e fomentar a transição energética. A parceria possibilita que residências e empresas contribuam para um sistema elétrico mais flexível e eficiente. A otimização da demanda de eletricidade em veículos elétricos (EVs), baterias residenciais, energia solar fotovoltaica, cargas industriais e recursos energéticos em escala de concessionária pode diminuir o congestionamento da rede, equilibrar o sistema em tempo real e gerar valor em todo o sistema energético. Analistas estimam que a flexibilidade do lado da demanda nos setores industrial e comercial possa gerar até US$ 1 trilhão por ano em âmbito global. A necessidade de flexibilidade está se tornando cada vez mais urgente conforme expande a demanda por eletricidade: somente a de data centers atingiu cerca de 415 TWh em 2024 – e esse número deve dobrar até 2030. As redes enfrentam congestionamentos severos porque os DSOs frequentemente não têm visibilidade em tempo real da rede. As soluções tradicionais dependem de atualizações de infraestrutura intensivas em capital, com longos prazos de implementação. Esse gargalo atrasa as conexões à rede, trava o crescimento e eleva os custos para todos. Essa parceria oferece um caminho mais rápido, mais inteligente e mais resiliente. A Schneider Electric fornece visibilidade em tempo real das restrições da rede por meio de sua One Digital Grid Platform e do EcoStruxure DERMS, juntamente com flexibilidade eficiente do lado da demanda a partir de seu ecossistema mais amplo EcoStruxure™ para otimização preditiva, inteligência energética, controle distribuído e gestão de cargas flexíveis. A Kraken complementa essa visibilidade ao transformar recursos energéticos distribuídos em um único sistema coordenado. A plataforma baseada em inteligência artificial (IA) conecta e orquestra veículos elétricos, baterias residenciais e bombas de calor, proporcionando visibilidade sobre a rede local de baixa tensão. A Kraken coordena esses dispositivos junto com armazenamento em escala de concessionária, ativos de geração e cargas industriais para deslocar o consumo e equilibrar a rede em tempo real. “Para a Kraken, é claro: velocidade para flexibilidade significa velocidade para energia. A IA não é apenas um motor da demanda; ela revoluciona a capacidade que podemos extrair da rede que já temos”, afirma Amir Orad, CEO da Kraken. “Estamos liberando essa capacidade em escala para impulsionar conexões à rede e o crescimento energético. Juntamente com a Schneider Electric, estamos construindo um sistema energético mais resiliente, mais acessível e mais limpo – para os consumidores e para o planeta.” “Concessionárias e operadores de rede estão sob forte pressão para manter a confiabilidade, responder às mudanças na demanda e tomar melhores decisões com dados melhores, enquanto trabalham com infraestrutura envelhecida”, diz Frédéric Godemel, EVP de Gestão de Energia da Schneider Electric. “Nosso objetivo é criar um sistema energético interoperável que funcione de forma integrada. A combinação da abordagem de plataforma da Schneider Electric com parceiros especializados como a Kraken possibilita que ajudemos os clientes a aproveitar ao máximo os ativos existentes, reduzir a complexidade, implementar novas capacidades mais rapidamente, liberar capacidade oculta e perceber valor mais cedo.” Sobre a Kraken A Kraken é o sistema operacional para energia mais querido e comprovado. Impulsionado por Utility-Grade AI® e profunda expertise no setor, ajudamos concessionárias a transformar sua tecnologia e operações para que possam liderar a transição energética. A Kraken atende mais de 90 milhões de contas em todo o mundo, desde residências e empresas até grandes clientes industriais, permitindo que concessionárias inovem mais rapidamente, desbloqueiem receitas, tornem a energia mais acessível para os clientes e criem uma rede mais inteligente e resiliente. Confiada por importantes empresas de energia como EDF Energy, E.ON Next, Octopus Energy, Origin, Plenitude, National Grid e Tokyo Gas, a Kraken entrega consistentemente resultados mensuráveis, incluindo até 40% mais eficiência e satisfação do cliente 3× maior.
Distribuidoras investem em microrredes para aumentar confiabilidade do fornecimento

Com a integração entre armazenamento, renováveis e inteligência de dados, distribuidoras aceleram a transição para o modelo de gestão ativa (DSO), mas esbarram em gargalos normativos, tecnológicos e econômicos Com pouco mais de 800 habitantes, Serra da Saudade é a menor cidade de Minas Gerais e também o cenário de um dos projetos mais avançados de microrrede do Brasil. Inaugurado em 2026 pela Cemig, o sistema combina baterias de grande porte e geração solar para garantir até 48 horas de autonomia energética para toda a cidade. Em situações de falha no fornecimento ou de manutenção programada, o município desliga-se temporariamente do Sistema Interligado Nacional (SIN) e opera de forma 100% isolada, sem que os consumidores percebam qualquer interrupção no fornecimento. O caso mineiro não é isolado, outras distribuidoras adotaram também esse modelo que muda a forma como as concessionárias de energia elétrica se comportam no setor. As microrredes são sistemas que integram recursos energéticos distribuídos (REDs), como geração renovável e armazenamento, a soluções de monitoramento, automação e controle de cargas, permitindo que operem conectadas à rede principal ou de forma independente, quando necessário. Para Wagner Veloso, Gerente de Engenharia, Automação e Sistemas da Cemig, as microrredes se tornaram um modelo concreto para a distribuidora e que transformaram a forma como a companhia realiza suas operações no município. “Já houve eventos em que a microrrede foi acionada. As principais situações ocorreram durante a realização de manutenções programadas na rede. Nesses casos, a microrrede sustentou o abastecimento da cidade por aproximadamente 5 a 6 horas, permitindo a execução das intervenções sem interrupção do fornecimento de energia — uma das principais vantagens operacionais desse tipo de solução”, afirma o executivo. Apesar dos resultados já observados em campo, a ampliação das microrredes em larga escala ainda depende de planejamento estratégico e de uma análise criteriosa da viabilidade econômica dos projetos. “Neste primeiro momento, o foco está em aplicações semelhantes ao caso de Serra da Saudade: regiões menores, com limitações no fornecimento e onde as soluções convencionais apresentam custos elevados. Além disso, também estão sendo avaliados novos cenários, incluindo aplicações em áreas urbanas e atendimento a cargas específicas, ampliando o escopo de uso da tecnologia”, projeta Wagner Veloso. A consolidação desse modelo em larga escala, no entanto, ainda depende de avanços regulatórios que ofereçam maior previsibilidade para os investimentos. “Do ponto de vista regulatório, iniciativas como a inclusão de diretrizes específicas para armazenamento no MCPSE (Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico da ANEEL) trazem maior clareza e segurança jurídica para essas aplicações”, pontua o Gerente de Engenharia, Automação e Sistemas da Cemig. O Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico (MCPSE) é uma norma e manual de procedimentos da ANEEL que padroniza o controle dos ativos imobilizados das empresas de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição). Faz parte da Resolução Normativa nº 674/2015. Outras experiências Embora o avanço de microrredes no Brasil ainda seja apontado como incipiente, algumas iniciativas já demonstram, na prática, o potencial da tecnologia para ampliar o acesso à energia e promover o desenvolvimento socioeconômico em regiões remotas. Um dos exemplos é o projeto implantado pela Neoenergia na comunidade de Xique-Xique, no município de Remanso (BA). Inaugurada em 2023, a iniciativa é considerada a primeira microrrede do país operando com energia 100% renovável. O sistema atende cerca de 400 moradores, distribuídos em 100 residências, além de uma escola, um poço artesiano comunitário e uma associação de moradores. “Com energia disponível 24 horas por dia, a comunidade passou a contar com um nível de serviço significativamente superior ao das soluções tradicionalmente utilizadas em regiões isoladas. A escola passou a oferecer aulas noturnas e os estabelecimentos comerciais ampliaram seus horários de funcionamento, criando novas oportunidades econômicas para a população local”, explica Gustavo Travassos, especialista de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Neoenergia. A solução é composta por uma usina fotovoltaica de 243 kWp e um sistema de armazenamento em baterias com capacidade total de 928 kWh. A infraestrutura inclui uma rede de distribuição em 13,8 kV com aproximadamente 30 quilômetros de extensão, responsável pelo atendimento de 113 unidades consumidoras. De acordo com Travassos, todos os equipamentos operam de forma integrada por meio de sistemas avançados de monitoramento e automação. As informações da usina solar e das baterias são transmitidas em tempo real ao Centro de Operações da Neoenergia Coelba, permitindo acompanhamento contínuo da operação, maior confiabilidade do fornecimento e resposta rápida a eventuais ocorrências. “Em determinadas situações, a microrrede pode oferecer um fornecimento de energia com elevada qualidade e confiabilidade. O conhecimento adquirido nesse projeto amplia as possibilidades de aplicação dessa solução e contribui para a modernização e a resiliência do setor elétrico”, conclui o especialista. Sistemas de microrredes em operação da Copel Mais ao Sul do país, a Copel, distribuidora do estado do Paraná, tem atualmente cerca de 20 microrredes em sua área de concessão, além de aproximadamente 200 sistemas isolados de atendimento com armazenamento de energia e outros projetos em fase de testes. Para o diretor comercial da distribuidora, Júlio Omori, uma das prerrogativas para a adoção de sistemas de microrredes é que eles sejam totalmente integrados aos sistemas de automação, sensoriamento e monitoramento em tempo real. “A instalação de uma microrrede ou de um sistema de armazenamento tem que estar totalmente integrada a um sistema de automação e controle. No nosso entendimento, mesmo em áreas isoladas, você não pode abrir mão de ter todas as informações chegando para alguém capaz de avaliar a situação e, se necessário, tomar uma ação de controle”, afirma o executivo. A fronteira de testes da Copel vai além das baterias químicas tradicionais e chega a usar o biogás como “estoque” de energia. O laboratório prático para essa premissa foi São Miguel do Iguaçu, no oeste paranaense, em que a forte atividade suinícola transformou o que seria um passivo ambiental em um reforço para o sistema elétrico. “Eu diria que talvez a primeira microrrede que usa a instalação do próprio cliente para ajudar o sistema elétrico tenha sido feita por nós, numa instalação de baixa tensão,